Rede de barbante indígena – Amazônia

As redes são objetos de uso essencial nas comunidades indígenas e ribeirinhas em toda a Amazônia, sendo facilmente vistas em casas e barcos da região. 

Por meio de um trabalho coletivo e principalmente representado pelas mulheres Suruí Paiter, as redes são confeccionadas em algodão e de forma artesanal. 

As artesãs estão organizadas na Associação das Guerreiras Indígenas de Rondônia (AGIR\Tecer), formada por mulheres de diferentes etnias. Elas buscam ampliar sua autonomia e fortalecer suas comunidades, por meio da geração de renda a partir da comercialização de produtos artesanais e do resgate de produções culturais tradicionais. 

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Cor

branco e vermelho

Tamanho

individual

Surui Paiter

O povo indígena Suruí se autodenomina Paiter, que significa “gente de verdade, nós mesmos”. Dividida em onze aldeias, uma população de 920 pessoas da etnia habita a Terra Indígena (TI) Sete de Setembro, que está localizada em uma região fronteiriça ao norte do município de Cacoal (RO) até o município de Aripuanã (MT). 

Indígena Surui Pater – Imagem: TV Brasil – EBC (cena do filme Visceral Brasil)

Apesar das pressões que sofrem por parte dos não-indígenas, os Paiter ainda mantêm muito das suas tradições, tanto no que diz respeito à cultura material quanto aos aspectos cosmológicos, que se relacionam, ambos, com a cultura de outros grupos Tupi Mondé.

Ameaças 

A demarcação da Terra Indígena Sete de Setembro se deu em 1976 e foi homologada em 1983. Ainda assim, até os dias atuais a comunidade indígena Suruí Paiter sofre muitas ameaças com invasões e redução do seu território. 

No século XIX, os Suruí Paiter se deslocaram da região de Cuiabá para Rondônia fugindo da perseguição dos brancos. De fins do século XIX até a década de 1920, com a exploração da borracha, a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré e a instalação das linhas telegráficas por Rondon, o fluxo migratório para Rondônia foi grande e seus efeitos se fizeram sentir sobre a população indígena na região, acarretando muitas lutas e mortes.

Com o ciclo da borracha e a mineração de cassiterita, a partir da década de 1940, aumenta a população não-indígena na região habitada pelos Suruí Paiter. Essas migrações foram intensificadas nos anos 1960, quando Rondônia passou a ser uma das áreas de maior expansão agrícola do país. Esse forte crescimento resultou em conflitos fundiários e pressão sobre as áreas indígenas. 

As invasões do território do Suruí Paiter provocaram sérias consequências na saúde das comunidades, particularmente das crianças.

Para saber mais sobre o povo Surui Pater acesse aqui

Artesanato e Arte Índígena 

Os Paiter possuem grande domínio da agricultura. Também realizam caça, pesca e extrativismo. 

No que diz respeito à divisão sexual do trabalho, tradicionalmente, cabe aos homens caçar, derrubar as árvores para a roça e fabricar flechas; enquanto as mulheres fiam, fabricam cerâmica e cestaria, cozinham, colhem e cuidam das crianças. Homens e mulheres plantam e pescam.

Após 1981, ao se tornarem donos dos cafezais dos invasores expulsos, passaram a vender café para o mercado. A renda monetária é usada em produtos hoje indispensáveis, como roupas, ferramentas e alimentos.

É da floresta que vem a palha usada nos cestos e na construção das casas e outras matérias-primas utilizadas na produção de adornos, utensílios domésticos e de caça. 

As mulheres produzem colares, fiam novelos de linha, trançam cordões, fazem redes, “agoiab” (tipóias) para carregar as crianças e cintos para homens e mulheres. A cestaria também é outra arte de domínio das mulheres indígenas Suruí Paiter. 

Entre toda essa produção, a grande arte Suruí ainda é a cerâmica escura, com a produção de panelas, lindas cuias pequenas e pratos de cerâmica. A cerâmica é feita com a técnica de rolos, queimada duas vezes, na aldeia ou na mata. Homens e mulheres podem ir buscar o barro, que é de excelente qualidade no território Suruí.

Os homens também fabricam objetos como flechas com as taquaras, que são de difícil acesso, e alguns adornos. 

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